#33 – Ana Rüsche (7 poems)

18 02 2012

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poem against  isolation

… the most ardent thoughts

of one who gave up believing in gods long ago

…. are electricity sparks

(… it seems your hair strands dance with mine)

 

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Narcotics

from tramps to men dressed in suits
they all grasp
this soft loneliness in the route of their fall.

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Common place # 7: The Civil Society

Every second
a black child gets eaten
with yellow fever’s mustard
Every second
A football pitch of green forest is eaten

with red sauce of mud
Every second

Every second

Every second

And that meeting never seemed to end… I was craving for popcorn.

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Common Place #14: Dawn

your desires away from mine

ice and vodka mixed through the fingers

curved sidewalks

homeless people are burned,

strange happenings in this town,

Jokerman, Jokerman,

You keep laughing too loud

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Anorexic

Lose weight,

extirpate the last trace of fat

give back the borrowed ribs

and disintegrate in light.

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The Purple Flower

Out of blue, it bloomed tattooed on my left breast

This one might like the night

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Stuborness

depth in the shade of a sparking blue,

discipline in the 3,7 cm of eyeliner,

but they actually prefer me blurred in the mornings.

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Translated into English by Wagner Miranda

Ana’s official website (content in Portuguese)  http://anarusche.com/

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Originais

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poema contra o isolamento

… os pensamentos mais fervorosos

de quem há muito não crê em deuses

…. são faíscas de eletricidade

(… parece que teus fios de cabelos dançam com os meus)

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Entorpecentes

dos vagabundos aos homens de terno
todos agarram
essa solidão macia na rota de suas quedas.

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Lugar Comum 7: A Sociedade Civil

A cada segundo
comem uma criança negra
com mostarda de febre amarela
A cada segundo
Comem um campo de futebol da floresta verde
com molho vermelho de barro
A cada segundo
A cada segundo
A cada segundo

E aquela reunião não acabava nunca… tinha vontade é de comer pipocas.

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Lugar Comum 14: Madrugada

teus desejos longe dos meus
gelo e vodka mexidos por entre os dedos
calçadas curvas

queimam mendigos,
acontecimentos estranhos nessa cidade,
Jokerman, Jokerman,
Você continua a rir alto demais

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Anoréxicas

Emagrecer,
extirpar a última gordura,
devolver as costelas emprestadas
e desintegrar-se em luz.

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A Flor Roxa

Subitamente desabrochou tatuada no meu seio esquerdo
Essa daí deve gostar da noite

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Teimosia

profundidade na sombra de um azul cintilante,
disciplina nos 3,7 cm de delineador,
mas gostam mesmo de mim borrada pelas manhãs.

Ana Rüsche

http://anarusche.com/





#32 – “A ursa e sua filha”, “Ofertório” e “Drink”, de Ivana Arruda Leite

15 10 2011

 

A ursa e sua filha

Além dos peixes,
passam pela garganta da ursa
as estrelas de todas as constelações
e a água dos seis oceanos.

As canções de ninar,
as cantigas de todas as mães
também vêm da barriga da ursa maior.

 

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The bear and her daughter

Besides fish,
go down the throat of the bear
the stars of all constellations
and water from the six oceans

The nursery rhymes,
the lullabies of all mothers
also comes from the belly of the Great Bear.

 

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Ofertório

Mais do que o bico do meu seio
eu te dei meus versos
onde os próprios seios se inspiram
e se tornam rosas e breves
como versos de menina.

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Offertory

More than my nipple
i gave you my verses
where the breasts themselves get inspired
and turn pink and brief
like girls’ verses.

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Drink

O amor deve ser sorvido em pequenos goles
mas depressa
para que não se evapore.

__________
Drink

Love should be drank in little sips
but fast
for it not to evaporate
.
.
.
.
____
Translated into English by Wagner Miranda
Ivana’s blog: http://doidivana.wordpress.com/




#31 – “Thousands” e “Too old”, de Leonard Cohen

8 10 2011

 

Thousands


Out of the thousands

who are known,

or who want to be known

as poets,

maybe one or two

are genuine

and the rest are fakes,

hanging around the sacred precincts

trying to look like the real thing.

Needless to say

I am one of the fakes,

and this is my story.

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Milhares

 

Entre os milhares

conhecidos,

ou que querem ser conhecidos

como poetas,

talvez um ou dois

sejam genuínos

e os outros são falsos,

rodeando os recintos sagrados

tentando parecer verdadeiros.

Nem preciso dizer

Que sou um dos falsos,

e esta é a minha história

______________________________________

 

Too old

 

I am too old

To learn the names

Of the new killers

This one here

Looks tired and attractive

Devoted, professorial

He looks a lot like me

When I was teaching

A radical form of Buddhism

To the hopelessly insane

In the name of the old

High magic

He commands

Families to be burned alive

And children mutilated

He probably knows

A song or two that I wrote

All of them

All the bloody hand bathers

And the chewers of entrails

And the scalp peelers

They all danced

To the music of the Beatles

They worshipped Bob Dylan

Dear friends

There are very few of us left

Silenced

Trembling all the time

Hidden among the blood –

Stunned fanatics

As we witness to each other

The old atrocity

The old obsolete atrocity

That has driven out

The heart’s warm appetite

And humbled evolution

And made a puke of prayer

 

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Velho demais

 

Estou velho demais

Para decorar os nomes

Dos novos assassinos

Este aqui

Parece cansado e ataente

Devotado, profissional

Ele se parece muito comigo

No tempo em que ensinava

Uma forma radical de Budismo

Para os insanos sem salvação

Em nome da velha

Mágica sagrada

Ele ordena

Que famílias sejam queimadas vivas

E crianças mutiladas

Ele provavelmente conhece

Uma ou duas de minhas canções

Todas elas

Todos que banharam suas mãos em sangue

 

E os mastigadores de vísceras

E escalpeladores

Todos eles dançaram

 

Ao som dos Beatles

Todos adoraram a Bob Dylan

Prezados amigos

Poucos de nós restaram

 

Silenciados

 

Tremendo sem parar

Escondidos em meio ao sangue –

Fanáticos chocados

Enquanto testemunhamos uns aos outros

A velha atrocidade

A velha e obsoleta atrocidade

Que levou para longe

O apetite ardoroso do coração

E acanhou a evolução

E vomitou preces

 

Poemas traduzidos por Wagner Miranda





#30 – Happiness, de Stephen Dunn

28 05 2011

 

Happiness

A state you must dare not enter
with hopes of staying,
quicksand in the marshes, and all

the roads leading to a castle
that road doesn’t exist.
But there it is, as promised,

with its perfect bridge above
the crocodiles,
and its doors forever open.

Stephen Dunn

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Felicidade

Um territorio em que não deve se atrever a entrar
com esperança de ficar,
areia movediça nos pântanos, e todas

as estradas que levam a um castelo
aquela estrada não existe.
Mas aqui está, como prometido,

com sua ponte perfeita sobre
os crocodilos,
e suas portas para sempre abertas.

Traduzido por Wagner Miranda





#29 – Proofs, de Tadeusz Rózewicz

10 05 2011

Proofs

Death will not correct

a single line of verse

she is no proof-reader

she is no sympathetic

lady editor

a bad metaphor is immortal

a shoddy poet who has died

is a shoddy dead poet

a bore bores after death

a fool keeps up his foolish chatter

from beyond the grave

Tadeusz Rózewicz

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Provas

A morte não corrigirá

uma única linha de verso

ela não é revisora

ela não é uma compadecida

senhora editora

uma metáfora ruim é imortal

um poeta ruim que morreu

é um poeta ruim morto

uma chateação chateia após a morte

um tolo continua com sua conversa mole

mesmo depois que morre

Translated by Wagner Miranda





#28 – Seeds + Grit + Maybe we are, de Tom Waits

20 04 2011

Seeds

I am a seed that fell

Upon the hard ground

The hard ground

The hard ground

I am a seed that fell

Upon the ground

I am a seed that fell

Upont the ground

I am a leaf that fell

From an oak tree

An oak tree

From an old oak tree

I am a leaf that fell

From an oak tree

I am a leaf that fell

From a tree

I am a stone that is rolling

On a rough road

On a rough road

On a rough road

I am a stone that is rolling

On a rough road

I am a stone that is rolling

On the road

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Sementes

Eu sou uma semente que caiu

Sobre o chão duro

O chão duro

O chão duro

Eu sou uma semente que caiu

Sobre o chão duro

Eu sou uma semente que caiu

Sobre o chão duro

Eu sou uma folha que caiu

De uma árvore de carvalho

Uma árvore de carvalho

De uma árvore de carvalho velha

Eu sou uma folha que caiu

De uma árvore de carvalho

Eu sou uma folha que caiu

De uma árvore

Eu sou uma pedra que rola

Em uma estrada áspera

Em uma estrada áspera

Em uma estrada áspera

Eu sou uma pedra que rola

Em uma estrada áspera

Eu sou uma pedra que rola

Na estrada

_________________________________________________

Grit

Can I get up off the mat

Like a wrestler that has

Been beaten, beaten

Can I get up and come

Roaring back?

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Determinação

Posso eu me reerguer da lona

Como um lutador que

Foi derrotado, derrotado

Posso eu me reerguer e retornar

Triunfante?

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Maybe we are

Maybe we are all members
Of an orchestra that is merely
Tuning up
And our curious trails
Are random scales
For a music that has
Yet to begin

Talvez sejamos

Talvez  sejamos todos membros
De uma orquestra meramente
A se entrosar
E nossos vestígios curiosos
São escalas aleatórias
Para uma música que ainda
Está por começar

_

Poemas traduzidos por Wagner Miranda

Poemas publicados no livro Hard Ground, com poemas de Tom Waits e fotografias de Michael O’Brien





#27 – Retrato, de Cecília Meireles

14 06 2010

Portrait

I didn’t have the face I have today,

this calm, this sad, this skinny face,

nor these eyes, so empty,

nor these bitter lips.

I didn’t have these weak hands,

so motionless and cold and dead;

I didn’t have this heart

that doesn’t even show.

I didn’t realise this change

so simple, so certain, so easy:

- In what mirror have I lost my face?

Translated into English by Wagner Miranda

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Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida a minha face?

Cecília Meireles








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