# 05 – The Poet, de Delmore Schwartz

5 05 2009

The Poet

The riches of the poet are equal to his poetry
His power is his left hand
It is idle weak and precious
His poverty is his wealth, a wealth which may destroy him
like Midas Because it is that laziness which is a form of impatience
And this he may be destroyed by the gold of the light
which never was
On land or sea.
He may be drunken to death, draining the casks of excess
That extreme form of success.
He may suffer Narcissus’ destiny
Unable to live except with the image which is infatuation
Love, blind, adoring, overflowing
Unable to respond to anything which does not bring love
quickly or immediately.

…The poet must be innocent and ignorant
But he cannot be innocent since stupidity is not his strong
point
Therefore Cocteau said, “What would I not give
To have the poems of my youth withdrawn from
existence?
I would give to Satan my immortal soul.”
This metaphor is wrong, for it is his immortal soul which
he wished to redeem,
Lifting it and sifting it, free and white, from the actuality of
youth’s banality, vulgarity,
pomp and affectation of his early
works of poetry.

So too in the same way a Famous American Poet
When fame at last had come to him sought out the fifty copies
of his first book of poems which had been privately printed
by himself at his own expense.
He succeeded in securing 48 of the 50 copies, burned them
And learned then how the last copies were extant,
As the law of the land required, stashed away in the national capital,
at the Library of Congress.
Therefore he went to Washington, therefore he took out the last two
copies
Placed them in his pocket, planned to depart
Only to be halted and apprehended. Since he was the author,
Since they were his books and his property he was reproached
But forgiven. But the two copies were taken away from him
Thus setting a national precedent.

For neither amnesty nor forgiveness is bestowed upon poets, poetry and poems,
For William James, the lovable genius of Harvard
spoke the terrifying truth: “Your friends may forget, God
may forgive you, But the brain cells record
your acts for the rest of eternity.”
What a terrifying thing to say!
This is the endless doom, without remedy, of poetry.
This is also the joy everlasting of poetry.

Delmore Schwartz


O poeta

As riquezas do poeta são como sua poesia
Seu poder está em sua mão esquerda
Ociosa, frágil e preciosa
Sua pobreza é sua riqueza, uma riqueza que pode destruí-lo
como destruiu a Midas, pois tal preguiça é uma forma de impaciência
E tendo-a consigo, pode ser destruído pelo dourado da luz
que nunca esteve a iluminar
Terra ou mar.
Ele pode se embriagar até ver sua vida expirar, secando os tonéis do excesso.
A forma mais extrema do sucesso.
Ele pode sofrer o destino de Narciso
Incapaz de viver sem sua imagem, uma paixão cega

Amor, cegueira, adoração, abundância
Incapaz de reagir a qualquer coisa que não traga amor
de modo rápido ou imediato.

…O poeta deve ser inocente e ignorante
Mas não pode ser inocente, já que a estupidez não é seu ponto forte
No entanto, Cocteau disse: “O que eu não daria
Para ter os poemas de minha juventude desprovidos de existência?
Em troca daria minha alma imortal ao Diabo”

Essa metáfora é equivocada, visto que o que ele desejava afinal
era a redenção de sua alma imortal.
Jogando-a para o alto e peneirando-a, livre e alva, da realidade da banalidade e da vulgaridade da juventude,
do esplendor e da emoção presente em seus primeiros
trabalhos poéticos.
O mesmo ocorreu com um famoso poeta americano que,
no momento em que fora finalmente presenteado com a fama, perseverou na impressão de cinqüenta cópias
de seu primeiro livro de poesia, às custas de seu próprio suor.
Conseguiu separar 48 das 50 cópias, ateou-lhes fogo
E descobriu então o quão raras eram as cópias restantes
Conforme exigido pela lei local, tais cópias deveriam ser mantidas na capital nacional,
em poder da Biblioteca do Congresso.
Por isso, partiu para Washington, levando consigo as duas últimas cópias

Colocando-as em seu bolso, planejou a fuga
Com o intuito de ser abordado e detido. Mas já que ele era o autor
e que os livros eram de sua propriedade, ele foi censurado
Porém perdoado. Mas as duas cópias lhe foram apreendidas
instaurando, desse modo, um precedente nacional.
Nem de anistia nem de perdão são dignos os poetas, as poesias e os poemas,
Para William James, o cativante gênio de Harvard
que proferiu a perturbadora verdade: “Seus amigos podem esquecer, Deus
pode perdoá-lo, mas os neurônios registram
seus atos por toda a eternidade.”
Que coisa mais assustadora a se dizer!
Este é o infindável e irremediável destino da poesia.
Também da poesia, a eterna alegria.

Traduzido por Wagner Miranda

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8 12 2009
13 12 2009

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