# 17 – The end, de Sharon Olds

1 01 2010

The end


We decided to have the abortion, became

killers together. The period that came

changed nothing. They were dead, that young couple

who had been for life.

As we talked of it in bed, the crash

was not a surprise. We went to the window,

looked at the crushed cars and the gleaming

curved shears of glass as if we had

done it. Cops pulled the bodies out

Bloody as births from the small, smoking

aperture of the door, laid them

on the hill, covered them with blankets that soaked

through. Blood

began to pour

down my legs into my slippers. I stood

where I was until they shot the bound

form into the black hole

of the ambulance and stood the other one

up, a bandage covering its head,

stained where the eyes had been.

The next morning I had to kneel

an hour on that floor, to clean up my blood,

rubbing with wet cloths at those glittering

translucent spots, as one has to soak

a long time to deglaze the pan

when the feast is over.

Sharon Olds

__________________________________________

O Fim

Dissemos sim ao aborto, e

juntos nos tornamos assassinos. O período que se seguiu

nada mudou. Eles estavam mortos, aquele jovem casal

que disse sim à vida.

Quando discutíamos o assunto na cama, o acidente

não surgiu como uma surpresa. Fomos até a janela,

observamos os carros esmagados e as

deformações curvas e dardejantes em vidro

como se fôssemos os responsáveis por aquilo.

Policiais removeram os corpos

Ensangüentados como os de recém-nascidos

pela abertura fumegante na porta, os acomodaram

na encosta, cobrindo-os com cobertores,

que logo foram encharcados. Sangue

começou a escorrer

pelas minhas pernas até meus chinelos.

Permaneci onde estava até que eles atirassem a forma curva

no buraco negro

da ambulância e erguessem o outro corpo,

com uma bandagem cobrindo a cabeça,

com uma mancha onde antes havia olhos.

Na manhã seguinte, tive que me ajoelhar

por uma hora sobre aquele solo para limpar o meu sangue,

esfregando com panos umedecidos

aqueles salpicos translúcidos, como alguém que

deixa uma panela de molho por horas, a fim de desengordurá-la

ao fim do banquete.

Traduzido por Wagner Miranda

We decided to have the abortion, became
killers together. The period that came
changed nothing. They were dead, that young couple
who had been for life.
As we talked of it in bed, the crash
was not a surprise. We went to the window,
looked at the crushed cars and the gleaming
curved shears of glass as if we had
done it. Cops pulled the bodies out
Bloody as births from the small, smoking
aperture of the door, laid them
on the hill, covered them with blankets that soaked
through. Blood
began to pour
down my legs into my slippers. I stood
where I was until they shot the bound
form into the black hole
of the ambulance and stood the other one
up, a bandage covering its head,
stained where the eyes had been.
The next morning I had to kneel
an hour on that floor, to clean up my blood,
rubbing with wet cloths at those glittering
translucent spots, as one has to soak
a long time to deglaze the pan
when the feast is over.
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3 responses

4 01 2010
L.M.

Começou o ano com a corda toda, hein? Purulento e respingando pra tudo quanto é lado. Mas é por aí, tem hora que o órgão precisa explodir de tão constrito a maior parte do tempo. Salamaleco!!

6 01 2010
Olga

Forte, muito forte! Beijos

9 01 2010
tania barros

Fortíssimo! Bello lavoro!

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