#31 – “Thousands” e “Too old”, de Leonard Cohen

8 10 2011

 

Thousands


Out of the thousands

who are known,

or who want to be known

as poets,

maybe one or two

are genuine

and the rest are fakes,

hanging around the sacred precincts

trying to look like the real thing.

Needless to say

I am one of the fakes,

and this is my story.

_________________________________________

 

Milhares

 

Entre os milhares

conhecidos,

ou que querem ser conhecidos

como poetas,

talvez um ou dois

sejam genuínos

e os outros são falsos,

rodeando os recintos sagrados

tentando parecer verdadeiros.

Nem preciso dizer

Que sou um dos falsos,

e esta é a minha história

______________________________________

 

Too old

 

I am too old

To learn the names

Of the new killers

This one here

Looks tired and attractive

Devoted, professorial

He looks a lot like me

When I was teaching

A radical form of Buddhism

To the hopelessly insane

In the name of the old

High magic

He commands

Families to be burned alive

And children mutilated

He probably knows

A song or two that I wrote

All of them

All the bloody hand bathers

And the chewers of entrails

And the scalp peelers

They all danced

To the music of the Beatles

They worshipped Bob Dylan

Dear friends

There are very few of us left

Silenced

Trembling all the time

Hidden among the blood –

Stunned fanatics

As we witness to each other

The old atrocity

The old obsolete atrocity

That has driven out

The heart’s warm appetite

And humbled evolution

And made a puke of prayer

 

______________________________________

 

Velho demais

 

Estou velho demais

Para decorar os nomes

Dos novos assassinos

Este aqui

Parece cansado e ataente

Devotado, profissional

Ele se parece muito comigo

No tempo em que ensinava

Uma forma radical de Budismo

Para os insanos sem salvação

Em nome da velha

Mágica sagrada

Ele ordena

Que famílias sejam queimadas vivas

E crianças mutiladas

Ele provavelmente conhece

Uma ou duas de minhas canções

Todas elas

Todos que banharam suas mãos em sangue

 

E os mastigadores de vísceras

E escalpeladores

Todos eles dançaram

 

Ao som dos Beatles

Todos adoraram a Bob Dylan

Prezados amigos

Poucos de nós restaram

 

Silenciados

 

Tremendo sem parar

Escondidos em meio ao sangue –

Fanáticos chocados

Enquanto testemunhamos uns aos outros

A velha atrocidade

A velha e obsoleta atrocidade

Que levou para longe

O apetite ardoroso do coração

E acanhou a evolução

E vomitou preces

 

Poemas traduzidos por Wagner Miranda

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One response

10 10 2011
tania

Continue assim, colega! Orgulho!

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