# 45 – “Coruja”, de Liz Berry

18 05 2014

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Coruja

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Meu corpo desperta com as constelações,

estrela por estrela na escuridão sufocante. Eu plano

sobre as casas guardadas por cães, o gado

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mugindo no curral iluminado pela lua. Um pacote

de pele, dentes e ossos cai de mim,

um aviso esqueletal. Trago mensagens

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do lugar mais obscuro. Uma criança que tosse sangue

no vilarejo, uma mulher no leito do rio Ruhuhu,

suas órbitas vazias, um punho marcando o rosto de um menino.

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Eu aflijo as sombras com a minha canção de luto:

Huuu-huu-huu-buhuhu-huu. Eles atiraram no meu amor

com uma flecha de madeira e pregaram seu peito branco

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na moldura da porta para me manter longe.

Isso me trouxe para mais perto. Transmorfos escamotearam meu corpo

e eu acolhi sua perversidade em mim. Comigo os levei

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até lares sonhadores, camas de amantes,

 mães maldizendo bebês adormecidos. Carreguei maldições

entre minhas garras, a seca em meu bico.

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Furiosa, atravessei a escuridão abrasadora num mergulho,

sobrevoando crianças com arcos, em busca de seu amor,

sua miserável face de coração, a forma da tristeza.

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Traduzido por Wagner Miranda

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Página oficial da Liz (em inglês): http://lizberrypoetry.co.uk/

 

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# 08 – Music when Soft Voices Die, de Percy Bysshe Shelley

21 05 2009


Music when Soft Voices Die

Music, when soft voices die,
Vibrates in the memory –
Odours, when sweet violets sicken,
Live within the sense then quicken.

Rose leaves, when the rose is dead,
Are heaped for the beloved’s bed;
And so thy thoughts, when thou art gone,
Love itself shall slumber on

Percy Bysshe Shelley

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Musica, ao silenciar de vozes afáveis

A música, ao silenciar de vozes afáveis,
Ressoa na memória –
As essências exaladas pelo adoecer de violetas perfumadas,
Residem na razão, e serão reavivadas.

As rosas, quando de sua existência são privadas,
Têm suas pétalas destinadas ao leito da pessoa amada;
O mesmo acontece no fenecer de teus pensamentos
E o amor deverá então repousar, em oportuno momento.

Traduzido por Wagner Miranda





#01 – Daybreak, de John Donne

14 03 2009
Daybreak

STAY, O sweet and do not rise!
The light that shines comes from thine eyes;
The day breaks not: it is my heart,
Because that you and I must part.
Stay! or else my joys will die
And perish in their infancy.


Aurora

QUE PERMANEÇA, Ó, doce, e não desperte!

A luz que emana de vossos olhos;

O dia não nasce: é parte de meu coração,
Por isso devemos nos separar.

Permaneça! Caso contrário, minhas alegrias morrerão

E perecerão ainda em suas infâncias

John Donne

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Traduzido por Wagner Miranda e revisado por Lizandra Silva








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