# 45 – “Coruja”, de Liz Berry

18 05 2014

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Coruja

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Meu corpo desperta com as constelações,

estrela por estrela na escuridão sufocante. Eu plano

sobre as casas guardadas por cães, o gado

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mugindo no curral iluminado pela lua. Um pacote

de pele, dentes e ossos cai de mim,

um aviso esqueletal. Trago mensagens

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do lugar mais obscuro. Uma criança que tosse sangue

no vilarejo, uma mulher no leito do rio Ruhuhu,

suas órbitas vazias, um punho marcando o rosto de um menino.

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Eu aflijo as sombras com a minha canção de luto:

Huuu-huu-huu-buhuhu-huu. Eles atiraram no meu amor

com uma flecha de madeira e pregaram seu peito branco

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na moldura da porta para me manter longe.

Isso me trouxe para mais perto. Transmorfos escamotearam meu corpo

e eu acolhi sua perversidade em mim. Comigo os levei

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até lares sonhadores, camas de amantes,

 mães maldizendo bebês adormecidos. Carreguei maldições

entre minhas garras, a seca em meu bico.

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Furiosa, atravessei a escuridão abrasadora num mergulho,

sobrevoando crianças com arcos, em busca de seu amor,

sua miserável face de coração, a forma da tristeza.

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Traduzido por Wagner Miranda

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Página oficial da Liz (em inglês): http://lizberrypoetry.co.uk/

 








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